
“Não sei em que ordem colocar as palavras, minha vida anda parecendo bagunça de quarto de quarto de criança. É mentiras de um lado, hipocrisia do outro, sem contar as promessas quebradas penduradas na maçaneta da porta e a falsidade sujando a cortina. Mas sei lá, hoje acordei meio tanto faz pra tudo isso. Se não der certo, acredito não ter nada a perder já que mais da metade que me valia algo foi embora. Se você por acaso decidir não voltar, faz bem, não vai ganhar nada comigo, se parar para analisar, acho até que vai perder, afinal […] sou só dramas e mais dramas, nada a mais que isso. Sou só alguém que vai errar o tempo todo sem saber, vai te magoar e ser incapaz de perceber. Mas mesmo assim, continuo não ligando, não quero mudar, não vou me esforçar pra ser algo que não sou, mesmo que isso resulte em viver na solidão. E deixa pra lá, me deixa aqui, pode ir embora, só fecha a porta pra ninguém me incomodar. Amanhã a gente vê o que acontece, coloca as coisas no lugar ou bagunça mais ainda. Chega de viver pelo relógio, são só alguns números não é mesmo? E no final do dia, atrasada ou não, sou eu quem vai pra cama arrependida dos meus erros.”